Bangladesh registra recorde com importação de 7,31 milhões de toneladas de trigo na safra 2025/2026
Queda nos preços globais e acordo estratégico com os EUA impulsionam compras; setor local de panificação avança até 17% ao ano
No ano comercial de 2025/2026, o Bangladesh importou um volume recorde de 7,31 milhões de toneladas de trigo, aproveitando o cenário de preços globais mais baixos da commodity. De acordo com o Ministério da Alimentação do país, as importações realizadas pelo setor privado cresceram 16%, alcançando 6,58 milhões de toneladas, enquanto as compras do setor público deram um salto expressivo de 61%, totalizando 751 mil toneladas.
O forte aumento nas aquisições governamentais é resultado de um memorando de entendimento assinado em julho de 2025 entre o governo de Bangladesh e a associação de produtores norte-americanos US Wheat Associates. Sob os termos do acordo, o país asiático se comprometeu a adquirir 700 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos anualmente por um período de cinco anos. A medida tem como objetivo ajudar a reduzir o desequilíbrio comercial com Washington e evitar a aplicação de tarifas alfandegárias mais altas.
O Bangladesh consolida-se, assim, como um dos maiores importadores mundiais de trigo. A produção nacional atinge apenas cerca de 1 milhão de toneladas por ano, e o país cobre o restante de sua demanda por meio de importações provenientes da Argentina, Canadá, Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e Brasil. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o elevado volume de compras no ciclo 2025/2026 foi sustentado pela redução dos preços internacionais e pela demanda firme por farinha de trigo, puxada tanto pela indústria alimentícia quanto pelo setor de nutrição animal.
Outro fator fundamental por trás do aquecimento da demanda tem sido o crescimento populacional contínuo e a rápida expansão de redes modernas de panificação. Representantes da indústria estimam que o setor formal de panificação no país cresce a um ritmo de 16% a 17% ao ano, impulsionando o consumo do grão. No entanto, o ritmo das importações registrou uma leve desaceleração durante a segunda metade do ano comercial, reflexo dos impactos logísticos gerados pelo conflito no Oriente Médio.
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