EUA e Irã Divergem sobre Controle de Ormuz Apesar de Pressão de Trump por Reabertura Imediata

Enquanto presidente americano alega abertura parcial, Teerã planeja cobrar taxas após trégua de 60 dias e exige fundo de US$ 300 bilhões para reconstrução

Publicado em 15 de junho de 2026 às 18:41
Pedro

Os Estados Unidos e o Irã ainda não alinharam suas visões sobre como reabrir o Estreito de Ormuz, contestando as declarações do presidente Donald Trump de que a hidrovia seria liberada rapidamente ou que já estaria operando. "O estreito já está parcialmente aberto", afirmou Trump nesta segunda-feira, ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, na véspera da cúpula do G7 na França. "Essencialmente, os navios estão começando a sair agora", acrescentou o mandatário, projetando a abertura completa para o dia 19 de junho, data marcada para a assinatura do pacto. Contudo, dados de rastreamento AIS revelam que o tráfego de embarcações permanece inalterado desde domingo, indicando que os armadores preferem aguardar a formalização e detalhes adicionais antes de arriscar a travessia.


Especialistas e fontes diplomáticas apontam que a assinatura do dia 19 de junho representará apenas o meio do caminho, e não o encerramento das tratativas bilaterais. Como o texto oficial do acordo não foi divulgado, ambos os lados vêm revelando seletivamente os pontos que favorecem suas posições de barganha, deixando os detalhes mais complexos — incluindo o status definitivo de Ormuz — para serem resolvidos em um comitê técnico ao longo dos 60 dias subsequentes. Pelo lado americano, as exigências centrais focam na interrupção do programa nuclear de Teerã e no retorno da livre navegação nos moldes anteriores à guerra. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, reforçou à CNBC que a expectativa de longo prazo é uma abertura "livre de pedágios", ponto que será debatido nas negociações técnicas.


O governo iraniano, por sua vez, planeja exercer um papel futuro no controle da navegação pelo estreito, além de exigir a suspensão total das sanções e o acesso a um fundo de reconstrução de até US$ 300 bilhões para reparar os danos causados pelos ataques conjuntos de EUA e Israel. Segundo informações da agência semioficial Fars, ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o Irã concederá uma isenção temporária de tarifas de trânsito durante a janela de negociação de 60 dias. No entanto, após esse período, Teerã pretende introduzir cobranças atreladas a serviços de segurança, navegação, meio ambiente e seguros.


Financiamento regional e resistência política em Washington

A questão financeira promete ser um dos principais impasses do pós-guerra. O vice-presidente JD Vance confirmou, em entrevista à CBS, que os EUA estão abertos a permitir que os países árabes do Golfo Pérsico financiem a reconstrução do Irã, sob a condição estrita de que Teerã encerre seu programa nuclear, entregue seu estoque de urânio enriquecido e aceite um regime eficaz de monitoramento. Até o momento, as monarquias árabes da região não se pronunciaram sobre a possibilidade de arcar com essa conta, especialmente após terem suas próprias infraestruturas civis e de energia severamente danificadas por mísseis e drones iranianos durante o conflito. Trump deve se reunir com líderes do Golfo à margem da cúpula do G7 para tratar do tema.


No fronte interno em Washington, o acordo sigiloso começa a gerar ruídos políticos. Embora as negociações de 12 a 14 de junho tenham sido bem-sucedidas em estancar os combates iniciados em maio — que escalaram quando as forças americanas tentaram forçar a saída de navios contornando a costa de Omã —, a oposição interna cresce. Setores leais a Trump começaram a manifestar reservas sobre o pacto, direcionando as críticas diretamente a JD Vance, apontado como o principal articulador da proposta. O senador republicano Lindsey Graham expressou preocupação com a disparidade entre as narrativas de Washington e Teerã, exigindo que o vice-presidente apresente formalmente o documento para revisão do Congresso dos EUA.

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