Fábrica de fertilizantes de US$ 1,8 bilhão no México atinge 95% de conclusão, afirma presidente

Projeto de amônia da Proman em Sinaloa enfrenta protestos recentes, mas governo defende obra para garantir soberania alimentar e reduzir importações

Publicado em 2 de julho de 2026 às 16:06
Pedro

A controversa fábrica de fertilizantes de US$ 1,8 bilhão em construção no estado mexicano de Sinaloa já atingiu 95% de conclusão e será uma peça fundamental para ajudar o México a reduzir sua dependência de importações, declarou a presidente Claudia Sheinbaum nesta terça-feira.

Nas últimas semanas, o projeto de amônia Proman GPO tem sido alvo de contínuos protestos liderados por grupos indígenas e ambientalistas. "A planta está em construção há muito tempo, e resta apenas cerca de 5% para ser concluída", disse Sheinbaum durante sua coletiva de imprensa diária na Cidade do México. A mandatária destacou que, por quase quatro anos, praticamente não houve manifestações enquanto os trabalhadores atuavam e a construção avançava no local.


Para rebater as críticas, Sheinbaum garantiu que as avaliações de impacto ambiental foram devidamente realizadas e que o projeto foi respaldado por uma consulta pública prévia. "Não foi feito pelas costas da população. Não é verdade que não houve estudo de impacto ambiental ou que faltaram medidas de mitigação", ressaltou a presidente.


Detalhes e financiamento do projeto

Desenvolvida pela Proman, empresa com sede na Suíça, a planta terá capacidade de produção de 2.220 toneladas métricas anuais de amônia. Localizado no porto de Topolobampo, na costa do Pacífico (estado de Sinaloa), o projeto Proman GPO tem como objetivo central diminuir a dependência do México em relação aos fertilizantes importados e fortalecer a segurança alimentar do país, visto que a amônia é a principal matéria-prima para os adubos nitrogenados. "Queremos soberania alimentar, e isso significa produzir fertilizantes no México", pontuou Sheinbaum.


A Proman, que possui raízes de fundação e grandes operações na Alemanha, estima que o complexo poupará aos cofres mexicanos cerca de US$ 500 milhões anuais que seriam gastos com importações de fertilizantes. Globalmente, a companhia opera outras três fábricas de amônia, que somam uma capacidade de produção anual combinada de 1,9 milhão de toneladas.


O principal estruturador financeiro do Proman GPO é o KfW IPEX-Bank, braço do banco de desenvolvimento alemão KfW, contando ainda com uma garantia de crédito à exportação fornecida pelo governo da Alemanha. O início das operações comerciais está programado para 2027. Além de priorizar a demanda doméstica, a unidade foi projetada para exportar seus excedentes para mercados estratégicos, como os Estados Unidos e outros países da América Latina.

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