Força naval anglo-francesa com mais de 40 países se prepara para monitorar reabertura do Estreito de Ormuz, mas enfrenta obstáculos diplomáticos

MoU assinado em Evian compromete EUA e Irã a desminarem o estreito em 30 dias, mas presença de força estrangeira em águas territoriais iranianas e omanenses ainda depende de autorização diplomática

Publicado em 19 de junho de 2026 às 11:48
Pedro

O memorando de entendimento assinado pelo presidente Trump em Evian no dia 17 de junho compromete EUA e Irã a limpar o Estreito de Ormuz de minas e obstáculos em 30 dias e a garantir livre passagem durante todo o período de negociação de 60 dias. Em paralelo, a operação de monitoramento anglo-francesa — endossada pelo G7 e apoiada por mais de 40 nações — avança em seus preparativos. O grupo de ataque liderado pelo porta-aviões francês Charles de Gaulle já está no Mar da Arábia, o destroyer britânico HMS Dragon opera junto ao grupo e a Alemanha anunciou o envio do caça-minas FGS Fulda e do navio de apoio FGS Mosel pelo Canal de Suez. A Itália posicionou dois caça-minas e um patrulheiro em Djibouti, enquanto Holanda e Grécia avaliam o envio de embarcações adicionais.


A ativação efetiva da força, no entanto, ainda enfrenta três obstáculos relevantes. O primeiro é de ordem operacional: não está claro qual seria o papel da força caso o cessar-fogo se sustente, nem o que ela poderia fazer diante de uma eventual violação, como o lançamento de novas minas. O segundo é diplomático: a força precisará de autorização formal do Irã e de Omã para operar nas águas territoriais do estreito — uma concessão com implicações significativas de soberania, especialmente para Omã, cujas instalações portuárias em Duqm seriam essenciais para o sustento logístico da missão. O terceiro é estratégico: o regime definitivo de navegação no estreito ainda será definido ao longo dos 60 dias de negociação, e tanto o Irã quanto Omã historicamente preferem minimizar a presença estrangeira na região, o que pode levar a força a nunca ser deployada, a se retirar precocemente ou a ser convertida em uma missão de paz da ONU.

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