Mosaic reverte lucro, fecha 2º trimestre com prejuízo de US$ 273 milhões (R$ 1,49 bilhão) e vendas no Brasil caem de 2,2 Mt para 1,5 Mt
Desempenho foi fortemente impactado pela alta do enxofre, recuo na produção de fosfatados e queda expressiva nos volumes de vendas, especialmente na operação brasileira.
A fabricante de fertilizantes Mosaic registrou um prejuízo líquido de US$ 273 milhões (cerca de R$ 1,49 bilhão) no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de US$ 411 milhões apurado no mesmo período do ano anterior. A receita da companhia desacelerou para US$ 2,8 bilhões, ante pouco mais de US$ 3 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. O balanço financeiro demonstrou que o resultado foi penalizado por itens extraordinários e por um ambiente operacional bastante desafiador, marcado principalmente pela escalada nos custos de matérias-primas como o enxofre. Como reflexo, o Ebitda ajustado da empresa recuou 28%, totalizando US$ 407 milhões, contra US$ 566 milhões reportados um ano antes.
O aperto nas margens operacionais acompanhou um declínio generalizado nos volumes comercializados pela companhia em suas principais divisões. As vendas do segmento de potássio caíram de 2,3 milhões de toneladas no segundo trimestre de 2025 para 2 milhões de toneladas neste ano. Na divisão de fosfatados, o volume comercializado recuou de 1,5 milhão para 1,4 milhão de toneladas na mesma base de comparação. Diante das margens pressionadas, a Mosaic reduziu estrategicamente a produção de fosfatos, intensificou medidas de corte de custos, diminuiu investimentos e reforçou sua flexibilidade financeira, aguardando condições de mercado mais favoráveis para retomar a capacidade integral de suas fábricas.
O peso mais negativo no balanço, no entanto, veio da Mosaic Fertilizantes, divisão responsável pelos negócios da empresa no Brasil, que viu seu volume de vendas despencar de 2,2 milhões de toneladas no segundo trimestre de 2025 para 1,5 milhão de toneladas neste ano. O segmento apurou um prejuízo operacional de US$ 41 milhões (ante lucro de US$ 109 milhões um ano antes) e uma queda no Ebitda ajustado de US$ 159 milhões para US$ 60 milhões. A companhia informou que está suspendendo gradualmente a produção de fertilizantes commodities no Brasil devido aos altos custos e à baixa disponibilidade de enxofre, mantendo apenas a unidade de Cajati (voltada à nutrição animal) operando normalmente. Com a menor utilização das plantas industriais, o custo unitário de conversão saltou de US$ 84 para US$ 141 por tonelada, e os gastos com plantas paradas e custos fixos não absorvidos atingiram US$ 61 milhões, sinalizando que a operação brasileira deverá registrar um Ebitda ainda menor no terceiro trimestre.
Apesar do forte impacto de curto prazo, a perspectiva da Mosaic para o mercado global de fertilizantes até o final de 2026 permanece construtiva. A companhia avalia que o setor continua favorecido pela recuperação dos preços das commodities agrícolas e pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e na guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo a empresa, os fundamentos dos fosfatados seguem positivos devido à restrição da oferta global — agravada por cortes de produção e menores exportações chinesas —, enquanto o potássio mantém uma demanda consistente em mercados-chave como América do Norte, Brasil e China.
Deixe um comentário
Comentários (0)