Ondas de calor severas derrubam projeções de safras de verão na Europa; Turquia caminha para colheita recorde

Déficit hídrico afeta fortemente milho e girassol no bloco europeu, enquanto clima atípico favorece produtividade histórica de trigo e cevada no território turco.

Publicado em 27 de julho de 2026 às 20:56
Pedro

Sucessivas ondas de calor e um déficit hídrico persistente reduziram drasticamente a umidade do solo em grande parte da Europa Ocidental e Central, comprometendo severamente o desenvolvimento das culturas de verão. O clima extremo promovido por um sistema de alta pressão limitou o acúmulo de biomassa e prejudicou a fase crucial de florescimento. Como resultado, as projeções de produtividade da União Europeia foram revisadas para baixo, com os cortes mais severos recaindo sobre o milho grão (queda de 6%) e o girassol (queda de 7%) em relação às estimativas do mês anterior. Países como França e Alemanha registraram forte estresse hídrico, enquanto a Hungria enfrenta sua pior seca desde 1991, com deterioração rápida das lavouras.


As culturas de inverno também sofreram o impacto do clima adverso. As altas temperaturas, que ultrapassaram a marca de 35°C e até 40°C em algumas regiões, encurtaram a fase de enchimento de grãos e aceleraram a maturação, forçando uma colheita excepcionalmente antecipada na Espanha, no sul da Alemanha e em parte da Itália. Isso gerou um recuo de 1% a 4% nas estimativas de rendimento de inverno do bloco europeu, deixando a perspectiva total de cereais 1% abaixo da média dos últimos cinco anos. O cenário só não é mais pessimista porque o Norte da Europa — abrangendo Dinamarca, Suécia e os Países Bálticos — manteve condições favoráveis, com chuvas abundantes e temperaturas adequadas sustentando um bom desenvolvimento vegetativo. Na Ucrânia, as condições para as culturas de verão seguem favoráveis no norte e centro, compensando a seca prolongada no oeste do país.


Em contraste direto com as perdas da Europa Ocidental, a Turquia atravessa uma temporada agrícola excepcionalmente positiva. O país registrou uma primavera mais fria e úmida do que o normal, o que atrasou o desenvolvimento inicial das lavouras em até 30 dias, mas protegeu as plantas do estresse térmico prematuro. Quando as temperaturas subiram em junho, as culturas entraram na fase de formação de grãos sob condições ideais de umidade no solo e alta radiação. O resultado consolida projeções de rendimento em patamares recordes: a cevada e o trigo durum turcos devem superar a média dos últimos cinco anos em 39% e 22%, respectivamente, enquanto o trigo brando aponta para uma alta de 18%.


Essa forte disparidade regional — com perdas consolidadas nas principais planícies agrícolas da União Europeia e safras abundantes no leste e na Turquia — deve reconfigurar a dinâmica de oferta e a movimentação logística das commodities no mercado internacional ao longo do segundo semestre, exigindo monitoramento estreito por parte dos importadores globais.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.