Preço do petróleo desaba após anúncio de acordo de paz entre EUA e Irã

Contratos futuros do Brent e WTI registram quedas de até 5,5% com expectativa de reabertura iminente do Estreito de Ormuz

Publicado em 15 de junho de 2026 às 12:18
Pedro

Os contratos futuros de petróleo registraram uma queda de cerca de 4% nas primeiras negociações de hoje, impulsionados pelos anúncios de que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã foi alcançado. A virada diplomática elevou as expectativas do mercado global para uma reabertura iminente do Estreito de Ormuz, via crucial para o escoamento da commodity. O contrato do Brent para agosto recuou para US$ 83,24 por barril, uma desvalorização de 5% em relação ao fechamento de Friday, 12 de junho. A retração foi ainda mais acentuada no petróleo de referência norte-americana, o WTI para julho, que despencou 5,5%, sendo cotado a US$ 80,17 por barril.


O movimento de forte baixa responde diretamente às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou no domingo que o acordo com o Irã está "agora concluído". Em publicação na rede Truth Social, Trump declarou autorizar totalmente a abertura livre de pedágios do Estreito de Ormuz e a remoção imediata do bloqueio naval da Marinha norte-americana, convocando os navios do mundo a "ligarem seus motores" para que o óleo volte a fluir. Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, explicou à agência de notícias semioficial Tasnim que o entendimento dará início a um período de 60 dias de novas negociações. Esta próxima fase focará na retirada de todas as sanções contra o Irã, no gerenciamento do programa nuclear iraniano, na reconstrução econômica e nos mecanismos de implementação do tratado definitivo.


Reação internacional e apoio à desminagem

Líderes globais já começaram a reagir oficialmente ao anúncio do pacto. Em uma declaração conjunta, França, Reino Unido, Alemanha e Itália afirmaram estar preparados para suspender as sanções relevantes sobre o Irã em resposta a passos claros e verificáveis em seu programa nuclear, reforçando a posição de que Teerã nunca deve adquirir uma arma nuclear. As potências europeias também prometeram apoio nos esforços para reabrir o Estreito de Ormuz, inclusive por meio do envio de uma missão multilateral independente e estritamente defensiva para tranquilizar a navegação comercial e conduzir operações de desminagem na região.


De acordo com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador das negociações, a assinatura oficial do acordo ocorrerá na próxima sexta-feira, 19 de junho, na Suíça. Sharif informou que os mediadores realizarão reuniões ao longo desta semana para pavimentar o caminho para as discussões técnicas e a cerimônia formal. "Ambos os lados declararam o término imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano", escreveu o premiê paquistanês em suas redes sociais.


Apesar do otimismo que derrubou os preços internacionais do barril, o cenário prático para a navegação ainda carece de respostas. Permanece incerto se os petroleiros e outros navios comerciais que estão retidos no Golfo Pérsico há meses conseguirão cruzar a hidrovia imediatamente, visto que trechos do canal receberam minas navais durante o conflito. Além disso, as autoridades iranianas ainda não confirmaram se os navios poderão realizar a travessia sem a necessidade de cumprir as exigências tarifárias e restritivas que o país vinha tentando impor ao tráfego marítimo.

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