Projetos de GNL em Moçambique retomam ritmo com investimentos de US$ 35 bilhões liderados por TotalEnergies e ExxonMobil

Após anos de paralisações por motivos de segurança, avanços em Mozambique LNG, Rovuma LNG e Coral Norte reforçam o país como novo polo exportador global.

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 21:57
Atualizado em 7 de agosto de 2026 às 22:22
Pedro

O setor de Gás Natural Liquefeito (GNL) de Moçambique entrou em uma nova fase de recuperação com a retomada de grandes projetos antes paralisados. As iniciativas são lideradas pelo empreendimento Mozambique LNG, da TotalEnergies, e pelo Rovuma LNG, da ExxonMobil. Por anos, a promessa das vastas reservas do país na Bacia do Rovuma foi interrompida por desafios de segurança, declarações de força maior e sucessivos atrasos operacionais. O cenário agora se transforma à medida que operadoras, governos e empreiteiras retomam as atividades em campo.


Segundo dados da Industrial Info Resources, a África conta atualmente com 45 projetos de capital ativos na área de GNL, somando um valor total de investimento (TIV) de US$ 87,38 bilhões. Dentro desse panorama, os três principais desenvolvimentos em Moçambique ganham destaque:

• Mozambique LNG (TotalEnergies): Investimento estimado em US$ 15 bilhões. O projeto prevê capacidade de 13 milhões de toneladas por ano (MTPA), com o primeiro carregamento de GNL previsto para 2030, após o encerramento da condição de força maior.

• Rovuma LNG (ExxonMobil): Investimento estimado em US$ 20 bilhões. O plano prevê capacidade de 18 MTPA para além de 2030, com a Decisão Final de Investimento (FID) programada para ser tomada ainda em 2026.

• Coral Norte FLNG (Eni): Nova fase offshore construída a partir do sucesso operacional do projeto Coral Sul, expandindo a capacidade de produção de GNL do país via unidades flutuantes.


Impacto no mercado global e na cadeia de suprimentos

A consolidação de Moçambique como um centro exportador na África Oriental é estratégica para os compradores internacionais de GNL, que buscam a diversificação da oferta para além dos polos tradicionais do Atlântico e do Oriente Médio — regiões que enfrentam restrições, forte concorrência e alta sensibilidade a choques geopolíticos. O volume adicional das novas plantas moçambicanas deve aliviar a rigidez da oferta global na segunda metade da década, oferecendo maior flexibilidade contratual de longo prazo para concessionárias, traders e compradores industriais na Ásia e na Europa.


Para o setor de Engenharia, Suprimentos e Construção (EPC) e logística marítima, a retomada injeta demanda por pacotes de grande porte em engenharia, fabricação, infraestrutura de apoio e comissionamento, gerando oportunidades para redes globais de prestadores de serviços.

Riscos de execução


Apesar do otimismo, o ambiente operacional ainda exige atenção. A situação de segurança na província de Cabo Delgado permanece como o principal risco de execução, dado o histórico de ataques que levou a paralisações anteriores. Adicionalmente, disputas de custos, exigências de conteúdo local e debates sobre novas regras de alocação de gás para o mercado doméstico em Moçambique continuam sendo fatores que podem influenciar o cronograma final das obras.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.