Bloqueio orçamentário ameaça cobertura do seguro rural em Goiás
Corte de R$ 461,7 milhões no Programa de Subvenção agrava crise no campo em ano de El Niño
Segundo matéria publicada no Jornal O Popular de Goiás, a trava de R$ 461,7 milhões no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) elevou o temor dos produtores rurais de uma nova queda na subvenção em 2027. Em ano marcado pelo fenômeno climático El Niño, a expectativa é que um número ainda maior de lavouras fique sem a proteção do seguro em todo o Brasil. Os impactos desse esvaziamento já foram sentidos de forma severa no ano passado em Goiás, quando a área coberta foi de apenas 376 mil hectares, o que representa uma queda de 60% em relação a 2024. No mesmo período, o número de produtores beneficiados despencou 67% e o volume de apólices recuou 68%, reflexos diretos de uma diminuição de 87% no valor da subvenção. Como o seguro rural tem um custo elevado para o produtor, o seu acesso é viabilizado justamente por essa ajuda do governo federal, que cobre cerca de 25% do prêmio. Segundo cálculos da FGV Agro, o PSR necessitaria de um orçamento robusto de R$ 2,37 bilhões em 2026 apenas para que a área segurada no país retornasse aos patamares registrados em 2021.
Edson Novaes, gerente técnico da Federação da Agricultura de Goiás (Faeg), aponta que o orçamento do programa para este ano era inicialmente de R$ 1,1 bilhão e já havia sofrido um corte prévio de R$ 25 milhões. Com o novo bloqueio, praticamente metade dos recursos previstos desaparece, justamente em um momento crítico que envolve a previsão de um El Niño intenso. Essa medida governamental chega como um "balde de água fria" às vésperas do anúncio do novo Plano de Safra, afetando produtores que já enfrentam graves dificuldades financeiras e processos de renegociação de dívidas devido a intempéries anteriores. Novaes alerta para a essencialidade do seguro neste momento, lembrando que eventos climáticos recentes já provocaram uma quebra de 2,3 milhões de toneladas na segunda safra de milho este ano devido a chuvas irregulares. O gerente da Faeg lamenta a justificativa fiscal e afirma que o Brasil está andando para trás na contramão das principais potências agrícolas do mundo, que utilizam o seguro rural como ferramenta central de mitigação de riscos.
Reforçando a gravidade da situação, Leonardo Machado, diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja), destaca que o impacto do corte é direto, pois prejudica uma ferramenta que frequentemente é a única responsável por manter a atividade agrícola viável após episódios de prejuízo climático. Sem essa proteção, em um cenário de clima adverso, o produtor acaba sendo forçado a fechar suas portas e sair da atividade. Sendo a agricultura uma "indústria a céu aberto", ela é radicalmente influenciada pelo excesso ou pela falta de chuvas, fatores que determinam a produtividade e a continuidade dos negócios. Diante das dificuldades, Machado defende duas frentes de ação: a rediscussão do modelo atual para que o seguro se torne mais atrativo e atenda totalmente às necessidades operacionais dos produtores, e a garantia de que a subvenção do seguro rural seja tratada como um recurso blindado contra contingenciamentos orçamentários, garantindo a previsibilidade necessária para o planejamento do setor.
Fonte: Jornal O Popular
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