Brasil pode triplicar área plantada de palma de óleo para 1 milhão de hectares em dez anos
Avanço impulsionado pela demanda por biocombustíveis e SAF prevê cultivo exclusivo em áreas consolidadas antes de 2008 no Pará.
O Brasil possui potencial para mais que triplicar a sua área cultivada com palma de óleo (dendê) ao longo da próxima década, saltando dos atuais 280 mil hectares para 1 milhão de hectares. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), Victor Almeida, o principal motor dessa expansão é a crescente demanda internacional e doméstica por matérias-primas voltadas à produção de biocombustíveis, com destaque para o combustível sustentável de aviação (SAF). Embora o país figure entre os dez maiores produtores mundiais do insumo — ainda em patamar distante de líderes globais como Indonésia e Malásia —, a atividade possui forte concentração territorial no estado do Pará, responsável por mais de 84% de toda a produção nacional de óleo de palma.
Para assegurar o cumprimento de metas ambientais e preservar o acesso a mercados com rigorosas exigências de sustentabilidade, como o europeu, o setor estabeleceu que os novos plantios serão implantados exclusivamente em terras desmatadas antes de 2008. A estratégia foca na recuperação de áreas degradadas na Amazônia e no fortalecimento do modelo de integração com pequenos agricultores por meio de contratos de fornecimento de longo prazo, aproveitando a estrutura de rastreabilidade já consolidada no Pará. Contudo, representantes da indústria ponderam que a viabilização desse plano de crescimento depende do suporte de políticas públicas estáveis, exigindo acesso a crédito subsidiado, financiamentos de longo prazo e mecanismos de proteção do mercado interno contra isenções tarifárias recorrentes sobre a importação do óleo vegetal.
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