Cazaquistão impõe embargo de seis meses à importação de trigo para frear entrada de grão russo
Medida entra em vigor em 27 de julho e visa proteger produtores locais da concorrência com o trigo barato proveniente da Rússia
O Ministério da Agricultura do Cazaquistão anunciou a implementação de uma proibição de seis meses para a importação de trigo, abrangendo transporte rodoviário, ferroviário e fluvial. A nova regulação, com início em 27 de julho de 2026, aplica-se tanto a países integrantes da União Econômica Eurasiática (EAEU) quanto a nações terceiras. O objetivo central é limitar a entrada de trigo russo a preços baixos, que tem exercido forte pressão sobre os preços do mercado doméstico cazaque nos últimos anos.
Para não paralisar o setor produtivo, o governo estabeleceu exceções específicas: a importação ferroviária continuará permitida apenas para granjas avícolas, processadoras de grãos, silos licenciados e a estatal Food Contract Corporation. No entanto, o trigo importado sob essas condições terá uso restrito, sendo proibida sua revenda no mercado interno ou sua destinação para exportação. Também ficam de fora das restrições as cargas em trânsito ferroviário que apenas atravessam o território cazaque ou o comércio entre outros países da EAEU que utilize o país como via logística.
O Cazaquistão, reconhecido como um dos principais exportadores mundiais de trigo e farinha, justifica a medida como uma estratégia necessária para salvaguardar seus agricultores e garantir a estabilidade operacional da sua indústria de processamento. Nos últimos anos, o volume de trigo russo importado pelo país dominou o mercado interno, contribuindo para um cenário de superoferta local. A decisão não é inédita, uma vez que o governo cazaque já adotou restrições similares em períodos anteriores para conter a volatilidade do mercado doméstico de grãos.
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