Consultoria russa reduz previsão de exportação de trigo da Rússia para 2026/27 devido a restrições no Mar de Azov

Revisão aponta corte de 1,9 milhão de toneladas nos embarques de trigo, evidenciando o impacto de gargalos logísticos no principal corredor de exportação russo.

Publicado em 29 de julho de 2026 às 14:09
Pedro

A consultoria analítica SovEcon reduziu sua previsão para as exportações de trigo da Rússia na temporada 2026/27, associando a medida diretamente às restrições de navegação impostas no Mar de Azov. Com o ajuste, a projeção para o trigo russo foi cortada em 1,9 milhão de toneladas, recuando para 44,6 milhões de toneladas. Esta é a primeira vez que a empresa reconhece oficialmente os entraves logísticos na região como um fator isolado e determinante sobre o potencial de exportação do país, superando as revisões anteriores motivadas majoritariamente por condições climáticas e perspectivas de safra.


No mesmo período, a projeção para as exportações de cevada foi reduzida em 0,2 milhão de toneladas, para 3,2 milhões de toneladas, ao passo que a estimativa para o milho registrou alta de 0,2 milhão de toneladas, alcançando 3,6 milhões de toneladas, impulsionada pelas expectativas de forte demanda vinda do Irã através da rota do Mar Cáspio. Com essas movimentações, a previsão agregada para o total de exportações de grãos e leguminosas passou de 56,1 milhões para 53,8 milhões de toneladas.


O diretor-geral da SovEcon, Andrey Sizov, destacou que o cenário atual configura primariamente um choque logístico e não um problema de escassez de oferta. Segundo ele, a persistência das barreiras de navegação no Mar de Azov reterá volumes expressivos de grãos no mercado interno russo, deprimindo os preços locais enquanto fornece suporte às cotações globais, com possibilidade de recuperação rápida dos embarques assim que a rota for reaberta. Contudo, os analistas avaliam que as condições de tráfego não devem se normalizar nas próximas semanas, somando-se ao fato de que o início da temporada também enfrenta baixa demanda de grandes compradores tradicionais, como Egito e Turquia, que se encontram no período de colheita de suas safras domésticas.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.