Importações mexicanas de grãos e oleaginosas atingem maior patamar desde 2015 no primeiro semestre de 2026
Com alta de 6,3% puxada por compras recordes de milho amarelo e do complexo soja, o México mantém dependência externa de cerca de 56% do seu consumo, enquanto busca estimular a produção interna de milho branco.
As importações mexicanas de grãos e oleaginosas alcançaram 23,9 milhões de toneladas no primeiro semestre de 2026, registrando o maior volume para o período desde 2015 e ficando atrás apenas do recorde de 2022, segundo dados do Grupo Consultor de Mercados Agrícolas (GCMA). O valor total das importações somou US$ 7,5 bilhões. O milho continuou sendo o principal produto da pauta, com alta de 8,6%, totalizando 12,3 milhões de toneladas — impulsionado principalmente pelo milho amarelo norte-americano (11,7 milhões de toneladas). Em contrapartida, as importações de milho branco, voltado à produção de tortilhas, caíram 15,9%, para 490 mil toneladas, refletindo os esforços governamentais para expandir a safra doméstica por meio da estratégia de soberania alimentar.
O complexo soja também apresentou forte expansão, com as importações somando 5,08 milhões de toneladas (alta de 15,1% na comparação anual). O destaque foi o farelo de soja, que disparou 34,1% impulsionado pela robusta demanda da pecuária, enquanto as compras de canola cresceram 10,6% para abastecer a indústria de óleos vegetais. Em sentido oposto, as importações de trigo recuaram 4,2% (2,45 milhões de toneladas) e o sorgo despencou 23%, substituído pelo milho nas rações animais.
Diante desse cenário, o GCMA aponta que o México permanece estruturalmente dependente do exterior, importando cerca de 56% dos grãos e oleaginosas que consome, consolidando-se como o segundo maior importador mundial dessas commodities. Para mitigar essa vulnerabilidade, a administração atual executa o programa Precio Justo e oferece apoio financeiro e técnico para elevar a produção nacional de milho branco de 21,8 milhões para 25 milhões de toneladas.
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