EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho em retaliação a práticas comerciais consideradas desleais

Medida abrange etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e material elétrico, mas exclui café, suco de laranja e carne bovina; Brasil ameaça acionar lei de reciprocidade na OMC

Publicado em 16 de julho de 2026 às 13:28
Pedro

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou nesta quinta-feira (16/7) a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados aos EUA, com vigência a partir de 22 de julho. A decisão, chancelada pelo presidente Donald Trump, encerra uma investigação aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana e tem como principais justificativas o suposto favorecimento ao Pix em detrimento de empresas americanas de pagamentos eletrônicos, restrições ao acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e ao desmatamento. A lista de produtos afetados inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e material elétrico, enquanto café, suco de laranja e carne bovina ficaram fora da cobrança adicional. Segundo cálculos da Global Trade Alert, com a nova taxação a tarifa média efetiva sobre importações brasileiras subirá de 11,73% para 14,9%, colocando o Brasil na segunda posição entre os países mais tarifados pelos EUA, atrás apenas da China.


O governo brasileiro repudiou a decisão em nota, classificando o dia 15 de julho como "um marco lastimável nas relações entre Brasil e EUA" e anunciando o início dos trâmites para acionar a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso Nacional junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a retomada do processo de reciprocidade é provável após consulta ao presidente Lula. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, defendeu a medida afirmando que o governo Lula "não negociou de boa-fé" com os EUA, enquanto o representante comercial Jamieson Greer disse que Washington segue aberto a novas conversas com Brasília. A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) classificou as tarifas como prejudiciais às empresas de ambos os países.

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