Gargalos logísticos e baixas do rio limitam o Rio Danúbio como alternativa aos portos da Ucrânia
Restrições de calado, custos US$ 20 a 30 por tonelada mais altos e riscos de segurança impedem que a rota hidroviária substitua os terminais de águas profundas de Odesa.
Diante da crescente relutância dos armadores em atracar nos portos da Grande Odesa devido aos constantes ataques, exportadores de grãos buscam redirecionar o fluxo de cargas para a hidrovia do Rio Danúbio. No entanto, entraves operacionais e climáticos impedem que a rota substitua a capacidade dos terminais ucranianos de águas profundas. Segundo Mykola Horbachov, presidente da Associação Ucraniana de Grãos, embora a infraestrutura do Danúbio tenha capacidade nominal para movimentar até 2,5 milhões de toneladas mensais entre grãos e óleos vegetais, alcançar esse volume no cenário atual é inviável. A região enfrenta o menor nível de água dos últimos 30 anos — forçando as barcaças a navegarem com apenas um terço de sua capacidade de carga —, somado à escassez de barcaças, gargalos na malha ferroviária e contínua exposição a riscos de segurança.
Além das limitações físicas, os custos e exigências regulatórias pesam contra a alternativa hidroviária. Dmytro Kazanin, proprietário da empresa de logística TEUS, destaca que a rota atende predominantemente embarcações de menor porte, com calado de até 7 metros, sendo que trechos críticos como o Canal Bystre oferecem apenas 5,5 metros de profundidade navegável. Essa limitação, aliada aos prêmios de risco exigidos pelos armadores, torna o transporte pelo Danúbio entre US$ 20 e US$ 30 por tonelada mais caro do que o escoamento via Grande Odesa. A logística é dificultada ainda mais pelas inspeções obrigatórias e novas exigências declaratórias no porto romeno de Tulcea, desestimulando a migração em massa dos fluxos de exportação da safra ucraniana.
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