IMO alerta indústria contra travessias no Estreito de Ormuz em meio a aumento de incidentes e tráfego instável
Secretário-geral da agência destaca ausência de segurança para os marinheiros, contrastando com perspectivas dos EUA sobre a recuperação do fluxo marítimo
A Organização Marítima Internacional (IMO) emitiu um alerta contundente para a indústria de transporte marítimo, desaconselhando fortemente qualquer tentativa de trânsito pelo Estreito de Ormuz. Em declaração nesta terça-feira (9 de junho), o secretário-geral da entidade, Arsenio Dominguez, enfatizou que não há nenhuma justificativa comercial ou operacional que valide colocar a vida das tripulações em risco em uma zona de tamanha volatilidade. Dominguez demonstrou crescente preocupação com embarcações que continuam cruzando o canal sem garantias de proteção, lembrando que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã já resultou em marinheiros mortos, feridos ou detidos. Para a liderança da IMO, no atual cenário de instabilidade no Golfo Pérsico, a premissa de passagem segura pelo estreito simplesmente não existe.
A postura de extrema cautela e advertência da IMO ocorre paralelamente a declarações diferentes por parte do governo norte-americano. Durante um fórum em Washington, também realizado no dia 9, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o tráfego de embarcações pela via marítima está "aumentando de forma muito significativa" e tem projeção de manter essa trajetória. Dados de rastreamento logístico fornecidos pela Vortexa corroboram um movimento prático de retomada, indicando 51 travessias nos primeiros nove dias de junho. O número representa um salto em relação aos 26 trânsitos registrados no mesmo período de maio, embora ainda esteja abaixo dos 68 cruzamentos contabilizados nos primeiros dias de abril, sinalizando que os volumes permanecem bem inferiores à normalidade logística pré-guerra.
Apesar da movimentação tática dos armadores, o risco à cadeia de suprimentos e à integridade das frotas continua elevado. Os ataques e interceptações contra o tráfego comercial persistem, exemplificados pelo incidente mais recente envolvendo um petroleiro vazio que foi desativado após ser atingido por um míssil disparado por uma aeronave militar dos Estados Unidos. Os 24 membros da tripulação precisaram ser evacuados da embarcação. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), o navio navegava em direção a um porto iraniano e falhou em cumprir as ordens de desvio estipuladas pelas forças norte-americanas. Todo esse acúmulo de tensões reflete-se nos dados da agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), que já documentou um total de 54 incidentes afetando diretamente operações navais no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã desde o início oficial do conflito, em 28 de fevereiro.
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