Rússia avalia armar navios civis de grãos com metralhadoras e lança-mísseis para driblar ataques no Mar de Azov

Diante da paralisação da rota e da perda de até 1,5 milhão de toneladas em exportações mensais, autoridades e armadores discutem medidas improvisadas de defesa e escolta militar, enquanto preços globais do trigo atingem máximas.

Publicado em 29 de julho de 2026 às 14:09
Pedro

Autoridades de transporte e militares da Rússia, em conjunto com armadores e tradings de grãos, estão considerando equipar navios graneleiros civis com metralhadoras, lançadores de mísseis móveis e sistemas defensivos para protegê-los de ataques de drones ucranianos, conforme reportado pela Bloomberg. As discussões ocorrem em meio à rápida deterioração da segurança no Mar de Azov, rota que normalmente responde por cerca de um quarto das exportações russas de cereais e que registrou uma interrupção quase total do tráfego comercial nas últimas duas semanas devido a ataques contra portos e embarcações. A consultoria SovEcon estima que o país possa perder entre 0,5 milhão e 1,5 milhão de toneladas de exportações mensais caso as restrições permaneçam.


As propostas em análise incluem a instalação temporária de blindagem, sacos de areia, telas antidrones e suportes para metralhadoras pesadas com visores térmicos ou de visão noturna em navios graneleiros. O plano também prevê a escolta de embarcações por lanchas de patrulha militar e o embarque de equipes armadas durante a primeira etapa da viagem. Para cumprir formalmente a proibição internacional de armar navios civis, as tropas desembarcariam após a passagem pelo Estreito de Kerch, levando seus armamentos de volta.

O Kremlin confirmou que a segurança marítima é uma prioridade. O porta-voz Dmitry Peskov declarou que a Marinha russa é capaz de proteger o transporte comercial e classificou os ataques a navios mercantes como atos de pirataria, embora tenha reconhecido as vedações do direito internacional quanto ao armamento de embarcações civis e evitado comentar diretamente sobre possíveis escoltas militares.


Analistas apontam que as propostas evidenciam o impacto profundo dos ataques ucranianos nas exportações russas, reduzindo receitas de produtores e elevando as cotações globais do trigo ao maior patamar em quase dois anos. No entanto, parte do mercado permanece cética quanto à viabilidade e ao custo de adaptar as frotas e fornecer escoltas. Paralelamente, Moscou tenta mitigar os prejuízos subsidiando o transporte ferroviário para redirecionar cargas a outros portos, embora analistas avaliem que a medida só consiga compensar parcialmente a perda de capacidade na rota do Mar de Azov.

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