Insegurança alimentar atinge seis milhões de pessoas na Somália em meio à seca e crise global
Fatores como a desvalorização do xelim, falhas nas chuvas e o conflito no Oriente Médio elevam preços dos alimentos e ameaçam distrito de Burhakaba com fome
A Somália enfrenta uma crise humanitária de proporções severas, com cerca de seis milhões de pessoas — quase um terço da população — vivendo sob níveis elevados de insegurança alimentar aguda. De acordo com especialistas apoiados pela ONU, a situação é agravada pela combinação entre o fracasso da estação de chuvas, que impacta diretamente a agricultura e a pecuária, e a disparada nos preços dos gêneros alimentícios. Este cenário de precariedade é acentuado pela guerra no Oriente Médio, que encarece insumos e logística global, somado à desvalorização do xelim somali, tornando o acesso ao alimento básico cada vez mais restrito para as famílias mais vulneráveis.
O relatório aponta um risco iminente de fome no distrito de Burhakaba, no Sul do país, classificado como um cenário catastrófico. A resposta humanitária, entretanto, permanece insuficiente: o Programa Alimentar Mundial (WFP) alertou que as operações podem ser suspensas até julho por falta de financiamento, enquanto a assistência atual alcança apenas 12% da população em situação de crise. Com 1,9 milhão de crianças sob risco de desnutrição aguda este ano, a falta de recursos internacionais coloca o país em um estado de alerta máximo diante da possibilidade de deterioração acelerada das condições de sobrevivência nas próximas semanas.
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