Mercado de milho da Ucrânia trava após novos ataques a portos paralisarem logística
Com embarques atrasados e armadores recusando rotas no Mar Negro, compradores globais buscam origens alternativas, como a América do Sul, em meio à transição de safra.
O mercado de exportação de milho da Ucrânia entrou em paralisação após repetidos ataques a portos e infraestruturas logísticas atrasarem embarques, limitarem a disponibilidade de navios e enfraquecerem o interesse dos compradores. O comércio spot (à vista) a partir da região praticamente parou, com importadores recorrendo cada vez mais a origens alternativas diante da incerteza sobre fretes e dos elevados riscos de execução.
O agravamento da crise logística foi marcado por ataques diretos a navios comerciais nos últimos dias. Fontes do mercado relataram que um míssil atingiu o navio Golden Leo, que transportava cerca de 8.000 toneladas de milho, no dia 19 de julho, ao deixar o porto de Odesa. O governo da Índia condenou o ataque, afirmando que "alvejar navios comerciais e colocar em risco tripulantes civis inocentes é deplorável e deve ser evitado". Dias antes, em 15 de julho, o MV Star Venture, uma embarcação da Bunge carregada com 31.000 toneladas de milho, foi atingido enquanto estava ancorado, aguardando carregamento em Chornomorsk com destino à Itália.
A continuidade dos ataques gerou forte relutância entre os compradores, à medida que os armadores se mostram cada vez mais indispostos a atracar nos portos ucranianos. Importadores na Turquia e em Dubai relatam paralisação nas aquisições, com cargas adiadas para agosto ou até setembro. Na Itália, os compradores afirmam que não estão dispostos a pagar preços elevados para assumir os riscos logísticos, citando estoques confortáveis e demanda interna enfraquecida.
Migração para a América do Sul e impasse na transição de safra
Antes mesmo da recente escalada, muitos mercados de destino já haviam começado a migrar para o milho da América do Sul, impulsionados por questões de qualidade. A interrupção atual aprofunda a perda de competitividade do grão ucraniano, com a incerteza do frete e ofertas caras de um número limitado de vendedores pesando sobre a atividade do mercado.
A transição para a nova safra de milho adiciona outra camada de pressão. Muitos vendedores ucranianos afirmam já ter negociado os volumes da safra velha (old-crop), mas seguem impossibilitados de escoar o produto devido à total indisponibilidade de frete. "Se a situação não mudar nas próximas semanas, as exportações da Ucrânia não vão parar completamente, mas continuarão sendo muito difíceis", alertou um vendedor local.
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