Onda de calor extremo e seca na Ucrânia atingem até 40% das lavouras de ciclo tardio
Temperaturas de até 40°C e chuvas irregulares reduzem drasticamente a umidade do solo, acelerando o desenvolvimento das safras e gerando estresse térmico
Durante o último decêndio de junho, a Ucrânia enfrentou um clima quente que evoluiu para um calor extremo no final do mês, acompanhado por uma forte escassez de chuvas. O padrão climático foi provocado por massas de ar quente que se deslocaram do Norte da África, passando pelo Sul e Centro da Europa, até atingir o território ucraniano.
Segundo o Centro Hidrometeorológico da Ucrânia, as temperaturas máximas atingiram a faixa de 33°C a 38°C, enquanto as regiões ocidentais, a região de Odesa e a Transcarpátia (Zakarpattia) registraram picos extremos de 39°C a 40°C. As condições térmicas nas regiões oeste e sul do país foram, em geral, bastante semelhantes.
Com a passagem de uma frente atmosférica ativa pelo país, chuvas muito irregulares foram registradas em partes das regiões norte e leste, variando desde fortes pancadas até volumes residuais de precipitação, com ocorrência de tempestades, ventanias e granizo em algumas áreas. Em contrapartida, a maior parte das regiões central e sul, juntamente com partes do oeste da Ucrânia, permaneceu completamente seca. Esse calor intenso do final de junho acelerou o amadurecimento das safras precoces de grãos e o desenvolvimento das lavouras de ciclo mais tardio.
Déficit hídrico e estresse nas plantas
A distribuição irregular e a escassez geral de chuvas durante o mês resultaram em condições de umidade do solo altamente variáveis em todo o país. Até 30 de junho, as reservas de umidade já haviam caído para níveis insuficientes na maior parte das áreas agrícolas. Uma seca no solo de intensidade variável se desenvolveu, persistiu e se expandiu por grande parte do sul, centro e leste da Ucrânia, afetando cerca de 30% a 40% da área cultivada com safras de final de temporada.
Apesar do cenário adverso, as condições agrometeorológicas permaneceram, no geral, satisfatórias para o desenvolvimento da maioria das culturas, embora o estresse térmico já afete as plantas em diversas áreas. O rápido acúmulo de calor acelerou o crescimento das culturas de verão, incluindo milho, girassol, soja e hortaliças, cujo desenvolvimento encontra-se próximo à média histórica de longo prazo ou apenas ligeiramente atrasado em relação ao normal.
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