Onda de calor na França afeta 30% da safra de milho e agrava cenário de oferta

Temperaturas extremas impactam também a avicultura, hortifrúti e antecipam a colheita de uvas; contratos futuros de milho saltam 10% na bolsa de Paris

Publicado em 3 de julho de 2026 às 17:25
Pedro

Uma severa onda de calor que atingiu a Europa Ocidental na última semana pode ter danificado quase um terço da safra de milho da França, comprometendo ainda mais as perspectivas de colheita no país, reportou a Bloomberg. De acordo com estimativas preliminares do Ministério da Agricultura francês, o calor extremo causou a perda de cerca de 30% das lavouras de milho. O impacto se estende por diversos flancos do agronegócio local: aproximadamente 50% da produção de cenouras, 60% do lúpulo, vastas áreas de pomares e centenas de milhares de aves também foram afetados.


Esta é a primeira avaliação oficial sobre a escala dos danos no campo. O cenário para o milho francês já era desafiador mesmo antes das anomalias climáticas, uma vez que os produtores haviam reduzido a área plantada em resposta à alta nos preços de fertilizantes e combustíveis após a guerra com o Irã. Segundo estimativas da consultoria Expana, menos de um terço da área cultivada com milho na França conta com sistemas de irrigação, o que pode derrubar a safra atual para o seu nível mais baixo desde 1990.


A resposta do mercado foi imediata: os contratos futuros de milho negociados na bolsa de Paris acumulam uma valorização superior a 10% desde meados de junho, impulsionados pelas expectativas de cortes drásticos na oferta, embora os preços tenham operado com estabilidade na sessão de quinta-feira.


Vulnerabilidade agronômica e alertas climáticos

A vulnerabilidade do milho de primavera é acentuada pelo fato de as lavouras estarem atualmente na fase de floração, estágio crítico para a definição do potencial produtivo e altamente sensível ao estresse térmico. Por outro lado, o impacto sobre os cereais de inverno, em particular o trigo, é considerado "muito menos severo", embora períodos prolongados de clima quente e seco ainda representem riscos para os rendimentos finais, observou Vincent Braak, analista da Expana.


Incêndios florestais e perdas na avicultura

A França consolidou-se como o epicentro da onda de calor que sufoca a Europa Ocidental neste mês de junho. As altas temperaturas também alteraram o ciclo dos vinhedos: segundo o ministério, a colheita da uva começará quase três semanas antes do normal devido ao amadurecimento acelerado dos frutos.


O clima seco e quente também elevou o risco operacional. Vinhedos e propriedades rurais encontram-se sob forte ameaça de incêndios florestais, que consumiram cerca de 1.200 hectares no sul do país apenas desde a última quarta-feira. Os danos à infraestrutura pecuária também são massivos: nas regiões ocidentais da Bretanha, Pays de la Loire e Normandia, as autoridades confirmam que os agricultores já perderam quase 6.500 toneladas de aves devido ao calor extremo.

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