Petroleiros sauditas recuam no Mar Vermelho após ameaças dos Houthis e escalada militar entre EUA e Irã

Bloqueio naval e ataques a navios em Ormuz e Bab el-Mandeb pressionam a logística global de commodities e fazem cotações do petróleo dispararem

Publicado em 21 de julho de 2026 às 19:09
Pedro

Dois petroleiros carregados com petróleo bruto saudita com destino aos mercados asiáticos foram forçados a alterar suas rotas no Mar Vermelho nesta terça-feira, retornando em direção ao Canal de Suez. A mudança abrupta de percurso é um reflexo direto do bloqueio naval anunciado pelos Houthis, grupo iemenita alinhado a Teerã, que ameaçou atacar qualquer embarcação transportando petróleo da Arábia Saudita. A intensificação do conflito atinge o coração da logística global, estrangulando o tráfego em dois dos mais importantes gargalos marítimos do mundo: o estreito de Bab el-Mandeb e o Estreito de Ormuz. Como resultado imediato do risco de desabastecimento, os preços do petróleo subiram mais de 2%, com o barril tipo Brent superando a marca de US$ 91.


A interrupção nas rotas comerciais ocorre em um cenário de rápida deterioração da segurança regional, marcada pela troca direta de ataques entre forças americanas e iranianas. O Comando Central dos EUA bombardeou centros de comando, bases de drones e sistemas de defesa no sul e oeste do Irã. Em resposta, Teerã lançou ofensivas contra bases e infraestruturas em países como Bahrein, Kuwait e Jordânia, afetando inclusive instalações de geração de energia e dessalinização de água. O fluxo no Estreito de Ormuz despencou drasticamente, com apenas quatro navios mercantes realizando a travessia em 24 horas, em meio a relatos de petroleiros atingidos por projéteis que forçaram a evacuação emergencial de suas tripulações.


Apesar do forte cenário bélico e da ameaça iminente à cadeia de suprimentos global, ainda há movimentações nos bastidores para tentar conter a crise geopolítica. Interlocutores avaliam uma proposta de cessar-fogo provisório de 10 dias, com o Paquistão assumindo um papel central nas mediações diplomáticas com o governo iraniano. O governo dos Estados Unidos, no entanto, mantém uma postura rígida: além de ameaçar intervenção militar direta caso os Houthis bloqueiem integralmente o acesso ao Mar Vermelho, Washington sinaliza que não retomará as negociações até que o Irã demonstre disposição para um recuo estratégico e um diálogo significativo.

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