Novos oleodutos para contornar o Estreito de Ormuz devem entrar em operação entre 1 e 2 anos
Guerra impulsiona projetos de infraestrutura paralela na Arábia Saudita e Emirados Árabes; capacidade de desvio de exportações pode dobrar até 2027
A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã acelerou o desenvolvimento de uma série de projetos de infraestrutura destinados a reduzir a dependência global do Estreito de Ormuz. Atualmente, o oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita e o oleoduto ADCOP (Habshan-Fujairah) dos Emirados Árabes Unidos (EAU) representam as duas infraestruturas estratégicas mais importantes no Golfo Pérsico para o escoamento de energia contornando a zona de conflito.
Projetos de expansão nessas linhas e nos portos associados permitirão uma redução ainda maior da dependência do estreito nos próximos anos. Como analistas previam desde o início de maio, o progresso real está ocorrendo na ampliação de capacidade de corredores já existentes, e não na construção de novas redes transfronteiriças.
O investimento contínuo dos estados do Golfo em infraestrutura de contingência reflete o reconhecimento de que depender exclusivamente de Ormuz como única saída de exportação deixou de ser uma estratégia prudente de longo prazo. O desafio político, no entanto, é calcular o altíssimo custo de construção e manutenção dessas obras frente à incerteza da duração da crise. Enquanto o governo de Donald Trump terminará seu mandato nos próximos anos, a perspectiva de uma mudança de regime no Irã parece muito menos provável, o que indica que os riscos estratégicos associados a Teerã persistirão muito além do atual ciclo político americano.
Emirados Árabes: Expansão do porto de Fujairah e novo oleoduto Oeste-Leste
Os planos para expandir a capacidade dos EAU de contornar Ormuz já estavam em andamento antes da crise atual. A petroleira estatal ADNOC já avaliava a construção de uma segunda linha paralela ao ADCOP — um projeto de 300 quilômetros avaliado em US$ 3 bilhões — desde o início de 2023. Diferente da rota existente, a nova linha permitiria que os fluxos de petróleo cru offshore do oeste de Abu Dhabi chegassem diretamente a Fujairah, dobrando a capacidade de desvio do país de cerca de 1,8 milhão de barris por dia (Mbd) para mais de 3,6 Mbd.
Relatórios recentes, corroborados por agências do setor, indicam que o novo projeto do Oleoduto Oeste-Leste já está 50% concluído, com o príncipe herdeiro dos EAU determinando que a ADNOC acelere as obras. Embora a meta inicial de inauguração fosse o início de 2027, especialistas em infraestrutura avaliam que, devido à necessidade de expansão do próprio porto de Fujairah para suportar o novo fluxo (graus como Upper Zakum, Das Blend e Umm Lulu), o início das operações de exportação em escala plena é mais realista para meados de 2027.
Arábia Saudita: linha Leste-Oeste
A Arábia Saudita também iniciou discussões preliminares para aumentar a capacidade do seu Oleoduto Leste-Oeste em 1 a 2 Mbd. No entanto, fontes da indústria familiarizadas com o assunto afirmam que a expansão está relacionada à construção de um oleoduto paralelo de derivados.
Atualmente, o oleoduto saudita pode transportar até 7 Mbd de Abqaiq para Yanbu, no Mar Vermelho. O obstáculo, porém, não é a tubulação, mas a infraestrutura de exportação: a capacidade de exportação sustentável nos terminais de Yanbu é estimada em 4,5 a 5 Mbd (1,5 Mbd do Terminal de Petróleo Bruto Yanbu Norte e cerca de 3,0 Mbd de Muajjiz). Qualquer aumento significativo no bombeamento exigiria primeiro o desgargalamento e a ampliação dos terminais de carga em Yanbu. Dada a complexidade, a previsão é que este projeto se materialize em um horizonte mais longo, com operações viáveis a partir de 2028.
Novos corredores no Mediterrâneo via Turquia e Síria
Na região do Mediterrâneo, projetos de contingência também ganharam força. Em março de 2026, a Turquia propôs estender o oleoduto Kirkuk-Ceyhan para o sul até Basra, criando um corredor de exportação total pelo Mediterrâneo que cortaria substancialmente a dependência do Iraque do Estreito de Ormuz. As discussões sobre o oleoduto Basra-Haditha-Baniyas também avançaram.
O gabinete iraquiano autorizou a estatal Basra Oil Company (BOC) a assinar acordos preliminares com um consórcio liderado pela Chevron. Esses acordos preparam o terreno para estudos de viabilidade técnica e financeira comparando as rotas Basra-Haditha-Kirkuk-Ceyhan e Basra-Haditha-Baniyas. Se os estudos forem concluídos até o final do ano, a construção poderá começar já no ano que vem, mas a execução das obras levará de 3 a 5 anos para ser concluída.
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