Produção de óleo de palma na Malásia deve cair em 2026/27 com El Niño, projeta USDA
Combinação entre clima seco e aumento da mistura de biodiesel (B15) pressionará estoques e exigirá maior volume de importações
O mercado de óleo de palma da Malásia caminha para um balanço mais restrito de oferta e demanda no ano comercial 2026/27 (outubro a setembro), de acordo com o relatório de oleaginosas divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em 1º de julho de 2026. A produção do país deve recuar para 19,7 milhões de toneladas, pressionada pelo estresse hídrico associado ao El Niño, que limita a produtividade dos cachos de frutos frescos. O volume representa uma retração frente às 20 milhões de toneladas consolidadas no ciclo anterior (2025/26), com a área colhida projetada para se manter praticamente estável em 5,16 milhões de hectares.
Pelo lado da demanda, a implementação da mistura de biodiesel B15 na Malásia Peninsular, iniciada em junho de 2026, elevará significativamente a absorção do óleo pela indústria local. O USDA projeta que o consumo doméstico alcance 4,59 milhões de toneladas no ciclo 2026/27 — um aumento de 330 mil toneladas na comparação anual —, enquanto o uso para fins alimentícios permanecerá estável na faixa de 950 mil toneladas. Segundo estimativas do conselho malaio (MPOB) citadas no relatório, a transição do B12 para o B15 adiciona cerca de 204 mil toneladas anuais à demanda interna de matérias-primas.
Esse cenário de menor produção e maior consumo interno deve desacelerar o acúmulo de reservas, reduzindo os estoques finais malaios de 2,8 milhões para 2,56 milhões de toneladas. Para equilibrar o mercado e sustentar as robustas exportações — estimadas em 15,9 milhões de toneladas para 2026/27, tendo Índia, Quênia e China como principais destinos —, o país precisará recorrer de forma mais ativa ao mercado externo. Refletindo essa dinâmica, o USDA elevou a previsão de importações da Malásia para 550 mil toneladas em ambas as safras, visando suplementar a oferta local diante das obrigações do novo mandato de biocombustíveis.
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